Vivemos o século da qualidade de vida e da comunicação! O termo “qualidade de vida” é difícil de ser definido, porque as necessidades são extremamente subjetivas. Enquanto para um indivíduo o lazer é fundamental, para outro, o lazer está no próprio ato de trabalhar e, embora o conceito de qualidade de vida seja muito pessoal, para a maior parte das pessoas, uma boa qualidade de vida é sinônimo de saúde, dinheiro e amor.
É cada vez maior a preocupação em todas as áreas (médica, social, psicológica e fonoaudiológica) com a qualidade de vida do paciente. Vários testes se propõem a traçar o perfil do paciente em relação a sua qualidade de vida. Porém estes testes não fornecem dados suficientes nos casos de pacientes com alterações de voz.
Há cerca de 3 anos foram traduzidos e adaptados para o português dois protocolos, o IDV (Índice de Desvantagem Vocal) e o QVV (Mensuração de Qualidade de Vida e Voz), compostos de questionários com objetivo de verificar como os problemas de voz interferem na vida diária de um indivíduo. O importante nestes protocolos é que a análise é feita pelo próprio falante, não é o médico ou o fonoaudiólogo quem determina o grau de desvantagem, mas o próprio indivíduo, analisando como a restrição vocal está limitando suas atividades pessoais, familiares, profissionais e sociais. Além disso, os questionários ajudam também a analisar os possíveis impactos na esfera emocional, em decorrência de um problema de voz.
Professores, cantores, radialistas, locutores, telefonistas, que utilizam a voz como instrumento de trabalho diário, quando afetados por alterações na voz, além das limitações físicas, emocionais e sociais impostas, põe em risco a manutenção de suas carreiras profissionais. O uso continuado de sua voz (na maior parte das vezes sem o treinamento suficiente para tanto) associado a condições ambientais não adequadas para o desempenho de suas funções (acústica pobre, locais barulhentos, ausência de amplificação sonora, entre outros fatores) representa, na verdade, o maior risco potencial de desenvolvimento para uma alteração da voz.
Até o final deste semestre, alunas da Cooordenação de Fonoaudiologia concluirão uma pesquisa, que envolveu 300 rapazes com idades entre 13 e 17 anos, que estão passando pelo processo de muda vocal, o qual é uma etapa do desenvolvimento do ser humano, homens e mulheres, mas que tem um impacto muito maior nos meninos que nas meninas devido à magnitude da mudança na voz. O mais interessante é que grande parte dos entrevistados parece ter considerado a muda vocal como um problema real de voz e relatou piora na qualidade de vida em decorrência das alterações e dificuldades na manutenção da estabilidade da qualidade da voz, tendo dificuldades de falar em locais públicos e abertos, fazendo força para falar e, muitas vezes, retraindo-se e sentindo-se frustrados, reforçando o quanto a voz é importante e o quanto parte de nosso sucesso pessoal e profissional pode ser creditado à nossa competência comunicativa. A partir destes resultados pretende-se estender esta pesquisa a outros segmentos, que possam nos mostrar como este comportamento é modificado, neutralizado ou superado pelo jovem.
A avaliação da qualidade de vida relacionada à voz se torna uma ferramenta de mensuração da efetividade comunicativa do indivíduo, além de fornecer ao clínico experiente informações importantes para o processo terapêutico. E, já que vivemos o século da comunicação e da qualidade de vida, vamos tentar vivenciá-la neste ser bio-psico-social.
Eduardo Magalhães da Silva, Fonoaudiólogo, Especializando em Voz (CEV/SP), Mestre e Doutorando em Fisiologia (UFPE) e Coordenador e Professor do Curso de Fonoaudiologia do CEST
Extraído de : http://www.jornalpequeno.com.br/2006/3/20/Pagina30812.htm
por: Mydi Tolentino - Dia 24/10/2011 - às 14:29.
É cada vez maior a preocupação em todas as áreas (médica, social, psicológica e fonoaudiológica) com a qualidade de vida do paciente. Vários testes se propõem a traçar o perfil do paciente em relação a sua qualidade de vida. Porém estes testes não fornecem dados suficientes nos casos de pacientes com alterações de voz.
Há cerca de 3 anos foram traduzidos e adaptados para o português dois protocolos, o IDV (Índice de Desvantagem Vocal) e o QVV (Mensuração de Qualidade de Vida e Voz), compostos de questionários com objetivo de verificar como os problemas de voz interferem na vida diária de um indivíduo. O importante nestes protocolos é que a análise é feita pelo próprio falante, não é o médico ou o fonoaudiólogo quem determina o grau de desvantagem, mas o próprio indivíduo, analisando como a restrição vocal está limitando suas atividades pessoais, familiares, profissionais e sociais. Além disso, os questionários ajudam também a analisar os possíveis impactos na esfera emocional, em decorrência de um problema de voz.
Professores, cantores, radialistas, locutores, telefonistas, que utilizam a voz como instrumento de trabalho diário, quando afetados por alterações na voz, além das limitações físicas, emocionais e sociais impostas, põe em risco a manutenção de suas carreiras profissionais. O uso continuado de sua voz (na maior parte das vezes sem o treinamento suficiente para tanto) associado a condições ambientais não adequadas para o desempenho de suas funções (acústica pobre, locais barulhentos, ausência de amplificação sonora, entre outros fatores) representa, na verdade, o maior risco potencial de desenvolvimento para uma alteração da voz.
Até o final deste semestre, alunas da Cooordenação de Fonoaudiologia concluirão uma pesquisa, que envolveu 300 rapazes com idades entre 13 e 17 anos, que estão passando pelo processo de muda vocal, o qual é uma etapa do desenvolvimento do ser humano, homens e mulheres, mas que tem um impacto muito maior nos meninos que nas meninas devido à magnitude da mudança na voz. O mais interessante é que grande parte dos entrevistados parece ter considerado a muda vocal como um problema real de voz e relatou piora na qualidade de vida em decorrência das alterações e dificuldades na manutenção da estabilidade da qualidade da voz, tendo dificuldades de falar em locais públicos e abertos, fazendo força para falar e, muitas vezes, retraindo-se e sentindo-se frustrados, reforçando o quanto a voz é importante e o quanto parte de nosso sucesso pessoal e profissional pode ser creditado à nossa competência comunicativa. A partir destes resultados pretende-se estender esta pesquisa a outros segmentos, que possam nos mostrar como este comportamento é modificado, neutralizado ou superado pelo jovem.
A avaliação da qualidade de vida relacionada à voz se torna uma ferramenta de mensuração da efetividade comunicativa do indivíduo, além de fornecer ao clínico experiente informações importantes para o processo terapêutico. E, já que vivemos o século da comunicação e da qualidade de vida, vamos tentar vivenciá-la neste ser bio-psico-social.
Eduardo Magalhães da Silva, Fonoaudiólogo, Especializando em Voz (CEV/SP), Mestre e Doutorando em Fisiologia (UFPE) e Coordenador e Professor do Curso de Fonoaudiologia do CEST
Extraído de : http://www.jornalpequeno.com.br/2006/3/20/Pagina30812.htm
por: Mydi Tolentino - Dia 24/10/2011 - às 14:29.

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